Gostei, mas foi desconfortável

10 de abril de 2026

Esses dias saí com um homem que me deixou muito reflexiva. Ele era bem mais velho do que eu, muito mais experiente e que era louco pelo meu corpo. Não é tão fácil encontrar homens que sejam loucos assim por nós, por cada parte do nosso corpo. Muitos homens se limitam à vagina e aos seus seios, à boca, ao pescoço… e para por aí. São difíceis os homens que querem nos desfrutar por completo, e quando escrevo completo, é no sentido mais literal da palavra. Um homem que quer cada pedacinho do seu corpo, sabe? Eu saio com tantos homens e a maioria não se deleita do meu corpo por inteiro, mas esse homem não, ele queria cada pedaço de mim. Ele era muito intenso, muito mesmo. Uma hora ele me disse que a gente poderia fazer um sexo tântrico e aquilo me deixou desconfortável. Eu acho MUITA intimidade para um homem que acabei de conhecer. Tenho meus limites. Tem coisas que eu entrego, e tem coisas que não. Nem tudo dá para ser entregue para um homem desconhecido. E esse nível de intensidade eu não conseguiria entregar, afinal, eu tinha acabado de conhecê-lo. 


Mas ele tentava pegar um pouco de mim. Ele tocava em cada parte do meu corpo, e eu me esquivava às vezes. Não era fácil sentir aquilo, era novo e estranho. Eu fui abusada e ouvi a vida toda que o meu corpo era horrível. Minha mãe dizia isso. Eu criei uma casca em volta do meu corpo, uma casca de proteção. Uma casca que afastava as pessoas de mim. Foi devido a essa casca que eu virei garota de programa. Porque eu precisava incessantemente aprender a deixar o outro me tocar. Eu tinha medo do outro. Eu tinha medo das pessoas. Eu me defendia. Talvez até hoje eu tenha resquícios disso, porque um trauma de uma vida toda leva um tempo para ser curado, e eu sinto que eu estou no processo dessa cura. Meu trabalho me ajuda muito. Muito mesmo. Mas existem coisas que ainda não estou plenamente confortável, sabe? Esse toque intenso no meu corpo todo, esse homem que queria me devorar por completo. Teve uma hora que perguntei se ele queria fazer uma massagem em mim, e ele tocou as minhas costas, e foi bom, porque eu gosto quando tocam as minhas costas. E depois ele fez oral em mim. Puta que pariu! Era um oral MUITO BOM! Um dos melhores que já provei na vida! Eu me segurei várias vezes para não gozar porque queria continuar sentindo aquilo, porque depois que eu gozasse, ia acabar, e eu queria prolongar aquilo. Eu prolonguei tanto que não estava mais conseguindo gozar hahaha e também acho que o fato de ser de manhã (era 11h) interferiu, porque não gosto de fazer sexo de manhã e nunca gozei de manhã, mas estava tão bom, tão bom que eu quase gozei. Uma coisa que me desconcentrou também é que ele começou a apertar o meu braço, e aí eu me desconcentrei. Mas o fato de eu não ter gozado não significa que não estava ótimo e que eu não aproveitei horrores. Afinal, gozar não é tudo, né?


Ele pediu para fazer 69 e eu não senti tanto prazer nessa posição como estava sentindo quando ele estava me chupando enquanto eu estava deitada. Eu adoro 69, mas nessa hora não senti muito prazer, mas eu dei muito prazer a ele enquanto chupava o seu pau. Ele adorou. Mas não podia ficar mais tempo porque estava com horários apertados. Ele também estava nervoso. Antes de eu entrar no quarto, ele me enviou uma mensagem dizendo que o coração estava disparado. E a gente não conseguiu penetrar porque ele estava um pouco nervoso. Depois fiquei pensando “será que a intensidade dele se justifica um pouco pelo nervoso?”. Porque ele era tão intenso, sabe? Mas ao mesmo tempo estava nervoso, às vezes essa intensidade também vinha de um nervosismo. De uma vontade de querer me comer tanto, por completo, que ele precisava fazer isso desesperadamente.


Por que isso me marcou tanto?


Porque eu voltei para casa pensando que eu tinha gostado. Eu senti prazer com ele, muito prazer, mas ao mesmo tempo me senti desconfortável. Isso é possível? Sentir duas coisas ao mesmo tempo, essa dualidade? Eu voltei pensando que aquilo foi intenso demais para o meu corpo (o jeito que ele me tocava, me beijava, querendo me explorar por completo), mas que ao mesmo tempo eu tinha gostado. Às vezes ele me tocava, e eu tirava a mão dele suavemente. Porque aquilo era demais, porque eu não estava acostumada, porque ainda estou aprendendo a receber carinho, afeto, porque estou aprendendo aos poucos que o toque não vai me ferir, porque no fundo me doía. Mas no fundo era como se o meu corpo também pedisse cada vez mais. Ele queria sentir isso. Então era bom. E eu me senti ao mesmo tempo invadida e ao mesmo tempo querida.

 

Sei que preciso aprender a deixar o outro me tocar, por isso virei garota de programa. Mas o nosso corpo tem limites internos, e eu sempre respeito os meus limites. Mas nesse encontro eu também quis sentir – e senti. É muito louco ter que ressignificar para o meu corpo sobre o carinho, e as pessoas nem imaginam o que pode levar mulheres a serem acompanhantes. Eu virei acompanhante porque queria criar novas memórias com o meu corpo, memórias de prazer, memórias de bem-estar, memórias me divertindo com ele. E hoje eu tenho muitas memórias boas e algumas que ainda ficam difusas para o meu próprio corpo entender, como essa.


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