Uma noite sendo mulher

7 de março de 2026

A saga do texto "ele disse que namoraria comigo" tomou um novo capítulo; minhas leitoras no Instagram escolheram um apelido para ele; "O Apaixonado", pois eu fiz questão de contar que transei de graça depois de 4 anos. É verdade que sou garota de programa há 1 ano, mas antes disso fiquei 3 anos sem transar com ninguém, porque não conseguia, por isso decidi cobrar.


O que aconteceu para eu decidir fazer sexo de graça?


Quem acompanha a saga sabe que o último capítulo foi eu decidindo que ele não seria mais meu cliente, pois ele sumia por meses, voltava todo apaixonado, dizendo que queria algo mais e depois sumia de novo. Isso estava me machucando. Decidi que não ia mais atendê-lo, até que ele voltou depois de quase 3 meses dizendo que queria ter um relacionamento comigo. Eu nunca ia esperar esse desfecho, já tinha colocado na minha cabeça que nós nunca mais íamos nos ver, mas eu sou uma mulher esperta e pensei “será que ele está tentando me manipular? Já que agora que ele sabe que eu não vou mais sair com ele se ele pagar, agora ele vai me convencer que quer ter um namoro comigo para me fazer sair com ele?”. Então fiquei com pé atrás. Como diria minha avó; “falar, até papagaio fala” e eu não acredito em promessas vazias. Ele voltou sábado retrasado, eu falei com ele todos os dias e demonstrei que gostava dele, porque era verdade. Mas acontece que quinta-feira ele parou de me responder, assim, do nada. Eu tinha dito para ele que se ele sumisse mais uma vez eu não o aceitaria. A vida é muito curta para a gente perder tempo com pessoas inconstantes. E ele tinha me mostrado em 5 meses que ele era uma pessoa que tem medo de ficar. Ele sumiu. Então desmarquei tudo o que estava preparando, pois tínhamos combinado de eu dormir 2 dias na casa dele. Quando tenho um compromisso com alguém, eu não deixo a pessoa falando sozinha. Eu espero o mínimo de constância.


Eis que na quarta-feira, dia em que ele chegaria em São Paulo, ele manda uma mensagem dizendo que está entrando no avião. Eu leio aquilo e penso “que cretino! Ele acha que eu vou encontrá-lo?”. Escrevi que não ia mais rolar nada entre a gente, mas tinha uma parte dentro de mim que queria encontrá-lo uma última vez. A gente se resolveu e eu resolvi ir para a casa dele, não para dormir, mas para ficar algumas horas. Confesso que eu não estava mais tão animada para ver ele, existia uma parte em mim que já estava machucada, que duvidava, que não confiava nele. Mas eu decidi vê-lo, porque tinha uma outra parte que queria conferir ao vivo o que eu sentia.


Quando eu cheguei, ele se tremia um pouco e eu percebi que ele estava ansioso. Eu abracei ele instantaneamente. Eu não estava com raiva, mas estava chateada. Eu entrei na casa dele e me sentei no sofá e comecei a falar o quanto esses sumiços me afetam e que não fazia sentido o que ele falava. Em um dia, ele dizia que queria namorar comigo, no outro ele esfriava. Ele era instável e eu não sei lidar com instabilidade – na verdade, eu não quero. Ele falou que me mandaria mensagem todos os dias. Eu não acreditei nele. Na verdade, eu vivi o momento presente sem me apegar a nenhuma expectativa ou fantasia. Eu já sei que ele some, ele poderia sumir depois daquele dia. Mas, e daí? Aquele dia eu queria estar ali. Aquele dia eu fingia acreditar no que ele me dizia. Aquele dia eu deixei ele me interromper para me beijar. Aquele dia poderia ser o último.


Ele vivia outro looping, ele não estava chateado comigo, pois eu não tinha magoado ele nenhuma vez. Ele se abria comigo de um jeito que nunca se abriu quando ele era o meu cliente. Ele me contava sobre a vida dele, e eu ouvia com atenção. Eu gostava de escutar ele. Eu avaliava se ele seria um bom namorado. Eu estava dividida, uma parte dizia que eu nunca mais poderia vê-lo e uma outra parte dizia “e se ele realmente ficar? Você quer ele?”. Teve uma hora que ele disse que era inseguro para se envolver, que ele já foi casado por anos e quando se separou tentou se envolver com 2 mulheres e elas pressionaram ele. Eu não pressiono homens e disse isso para ele. Mas se não estiver bom para mim eu vou embora (isso eu não disse para ele). Ele era gentil comigo. Ele era muito presente, nem parecia aquele homem que estava fugindo de mim. Ele dizia que não ligava para a minha profissão, mas uma parte minha diz que ele liga. Ele me puxa para o seu quarto e a gente transa. Eu não cobrei dele. Eu queria estar ali, sem ele precisar me pagar. E mesmo que eu nunca mais o visse, eu não ia me arrepender. Era aquilo que eu queria fazer. Queria que ele se apossasse da minha vagina sem pagar um real por ela. Bom, ele pagou meu Uber, porque eu também não queria tirar um real do bolso para ver ele. E depois ele cozinhou para a gente, ele fez um nhoque, que estava bom. Parecia que naquele dia eu estava conhecendo melhor O Apaixonado. Era muito diferente de quando eu encontrava ele nos motéis da vida. Depois que a gente transou, a gente ficou um tempão se acariciando, num tipo de intimidade fina, sem dizermos uma palavra. Naquela hora, eu queria saber o que ele estava pensando, mas fiquei calada. Talvez aquilo foi mais íntimo do que o sexo em si, depois transamos de novo e ele ficou com muito sono. Percebi que ele se sentia confortável comigo. Eu precisava ir. Antes de ir, ele brincou dizendo que eu falaria mal dele no blog. Será que ele gosta de ser um personagem na minha história?


Já eu, demorei para dormir quando cheguei em casa. Porque tenho insônia e porque penso. Será que esse seria o nosso último encontro? Será que agora que ele conheceu um pouco da Sol real, a Sol que não é uma garota de programa, mas que é uma mulher que sente e que tem uma história, ele iria sumir de vez? Eu contei um pouco da minha história para ele. E contei que estou há anos me reconstruindo. Talvez no fundo eu queria que ele sentisse o tamanho da minha força e que eu não tenho medo de fazer o que decido. Eu decidi me deitar com ele. Eu decidi que ele não me devia. Que eu não ia cobrar. Que eu seria uma mulher para ele, não uma prostituta. A Sol Rara real é mais fascinante que a Sol Rara do motel? Eu não sei. Eu não sei se essa história acabou ou se essa história só começou. Ele me convidou para fazer outras coisas depois, mas será que essas coisas vão existir? Por enquanto tudo está aberto. E se esse for o nosso último encontro, eu não me arrependi em nenhum momento. Eu queria fazer isso.

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