Uma garota de programa quer companhia

21 de fevereiro de 2026


Eu decidi não namorar tão cedo, decidi me satisfazer com os meus clientes, mas tinha uma parte dentro de mim que buscava companhia. Aliás, qual ser humano não tem uma parte que quer companhia? Por mais que eu tentei sufocar essa parte da minha vida, ela teima em insistir. E eu resolvi dar brecha para ela. Resolvi abrir a minha parte adotando um cachorro, é mais fácil do que lidar com humanos, né?


Quando eu me vi sozinha pela primeira vez, em uma casa que eu finalmente gostei, em que eu finalmente estava sozinha, porque passei 6 anos da minha vida morando em repúblicas e pensões, eu decidi adotar um cachorro. Será que eu ainda tenho medo de ficar sozinha? Será que adotei um cachorro para compensar a falta que eu sinto de pessoas? A falta que eu sinto de ter uma família? Será que no fundo eu achei que o cachorro iria cuidar de mim e não eu dele? Será que no fundo eu queria que o cachorro fosse a mãe que eu nunca tive?


O fato é que eu aguentei apenas uma semana sozinha nessa casa, na semana seguinte eu pre-ci-sei adotar um cachorro. Lembro até que me dava um certo medo de dormir sozinha. Eu queria companhia. Mais do que querer, eu precisava. Então pedi para Deus diversas vezes um cachorro que não me desse trabalho (sim, eu tive a audácia de pedir isso) porque eu sabia que eu não iria aguentar. Eu queria um ursinho de pelúcia que ficasse do meu lado. Só isso. Sim, só isso.


Então a Alice chegou. Ah, ela era tudo o que eu queria! Deus tinha me escutado, pois ela não me dava nenhum trabalho, o cachorro mais bonzinho e obediente que já conheci. Eu nunca pensei que o trabalho que ela fosse me dar seria me amar demais. A Alice me amou rápido, como se ela também estivesse esperando por mim. Ela me adotou. Ela também não queria ficar sozinha, ela também clamava por mim. Eu me tornei o mundo para alguém e esse mundo se chamava Alice. Pela primeira vez na vida, encontrei um ser que me aceitou e me amou do jeito que eu era. A Alice também pedia para Deus eu. Eu cheguei. Depois dos três meses, a Alice começou a apresentar alguns comportamentos destrutivos quando eu saía, mas eram pontuais. Eu não me importava porque ela era um cachorro perfeito. O cachorro que pedi a Deus. Até que ela se tornou um pesadelo para mim.


Depois que retornei de viagem e deixei ela com a vizinha, ela voltou extremamente ansiosa e começou a destruir a porta toda vez que eu saía em um nível que se formou um buraco. Eu chegava com raiva, cansada. Onde estava o meu cachorro perfeito? Deus não tinha me escutado mesmo? Eu saía para trabalhar, e ela sofria. Ela queria que eu vivesse só para ela. Ela se parecia a minha mãe. Eu estava perdendo a minha liberdade para um cachorro? Eu, tão livre, agora tinha um cachorro que me deixava ansiosa toda vez que saía de casa.


Contratei adestradora, veterinária, curso e agora estou fazendo uma rifa para me ajudar nos custos. Hoje a adestradora me disse que vai levar no mínimo 6 meses para ela melhorar. Tomei um susto. Eu que sempre quis tudo para ontem, agora tinha que esperar 6 meses. A Alice sofre de ansiedade por separação. Toda vez que eu saio de casa, ela sofre. E eu já sofri muito disso na vida. Tenho o trauma do abandono, quando eu me relacionava, eu sufocava as pessoas com a minha ansiedade. Eu não destruía portas, mas a mim mesma. Eu afastava as pessoas. Às vezes olho para a Alice e queria falar em alguma linguagem que ela entendesse: quanto mais você raspa a porta, menos eu quero ficar em casa. Queria que fosse possível ela entender. Mas não é.


Nesse processo, eu tenho me desgastado também, tal qual a porta que agora tem um buraco, o meu cansaço abriu um buraco em mim. Um buraco esse que me fez repensar porque eu queria tanto companhia. Porque eu escolhi isso. É como uma pessoa que quer ter um filho. É loteria, você nunca sabe como vai ser aquela criança. Mas a gente tem o sonho do cuidado e o sonho de ser cuidada. É por isso que muitas pessoas nos perguntam quem vai cuidar de nós quando ficarmos velhos se não tivermos filhos. Fazemos filhos porque somos egoístas. Porque pensamos nas nossas necessidades. Porque queremos deixar um legado no mundo. Porque a gente quer ter uma história para contar. Porque a gente quer ser preenchido e amado. Eu queria ser amada pela Alice e eu sou, mas nunca pensei que um cachorro iria me amar de uma forma doentia. Nunca pensei que eu ia precisar gastar dinheiro para um cachorro me amar menos. Que eu ia precisar dar antidepressivo para esse cachorro me amar menos. Parece bizarro, aquela pequena Sol que não tinha nem sequer o amor da sua mãe, agora tem um cachorrinho que ficou doente de tanto amar ela. Eu que nunca tinha conhecido o amor de verdade, agora o conheci e quero que ele seja menos. Quero que o amor não me leve junto. Quero que o amor me deixe em paz às vezes. Às vezes quero esquecer que não adotei a Alice. Às vezes quero ter o direito de ser só a Sol Rara. Não peguei um cachorro para me dar trabalho porque queria que ele em algum nível me curasse. Queria que ele fizesse a minha parte. Que ele cuidasse de mim na velhice. Que ele fosse o meu ursinho. Que ele não me fizesse gastar. Quando adotei um bicho, adotei muito mais por mim do que por ele. Eu queria ter um bicho. Mas esse bicho também tinha a sua necessidade de me querer, e eu nunca imaginei que seria tanta assim. O cachorro também quer ser amado, igual eu.


De alguma forma, eu acredito que a Alice cuida de mim do jeito dela. E é sentir isso que me sustenta. Ela está comigo, ela quer a minha companhia, ela me espera. E de algum modo eu também esperava por ela. Por alguma razão, eu preciso passar por todo esse processo, talvez para aprender a educar alguém como a minha mãe nunca me educou. Sempre falei que seria diferente dela. A vida deve ter me colocado essa prova no momento que ela achou que eu estava pronta. Porque eu senti no fundo do meu coração que estava pronta para ter um animal. E nada vem no endereço errado. Nada. Nem um cachorro para uma garota de programa.




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