Por que Sol Rara?

12 de abril de 2025

A pergunta que não quer calar, mas eu vou calar hoje: por que eu escolhi esse nome?


Brinco por aí que minha mãe me deu esse nome, que ele está na minha certidão de nascimento, para validar que ele realmente é meu. Confesso que uma das coisas mais legais de ser prostituta, é que eu posso inventar o meu próprio nome, essa coisa tão importante, que a gente vem ao mundo sem ter direito de escolher a princípio. Depois do sexo e da família, o nome é aquela coisa crucial que a gente não pode escolher - escolhem por nós. Com a modernidade, hoje, podemos escolher o nosso próprio nome se assim desejarmos depois, mas vocês já viram a burocracia que é para mudar o nome? É um processo chato, então, quase todos nós escolhemos seguir a vida com o nome que nos deram. Uma das primeiras grandes injustiças da vida.


Há pessoas que não suportam o próprio nome, outras que não ligam tanto assim e há aquelas que amam de paixão o significado dessa palavra que as acompanha continuamente. Eu? Eu era a pessoa que achava uma baita injustiça a gente não escolher o nosso próprio nome. Não achava meu nome nada demais. Eu sou uma artista e as coisas precisam ser demais para mim, e o meu nome? Bem, nada demais. Depois me debrucei sobre o significado do meu nome ao passo que fui crescendo e fui descobrindo que ele definia várias coisas na minha vida, inclusive a minha personalidade. Sim, gente, ser nomeado é uma baita responsabilidade. Eu acredito muito em energia, sendo assim, antes de nascer eu já fui carimbada com a energia do meu nome. Estudando isso, o significado do meu nome ficou bem mais interessante para mim.


Mas ainda não era o nome que eu tinha escolhido. E não sei vocês, mas eu acho que ser escritora me faz ter uma fascinação com as palavras, então eu sempre quis escolher a palavra que iam me chamar.


Antes de virar acompanhante, quase ninguém do meu entorno sabia dessa ideia e eu tinha que me resguardar de saberem, por várias questões, e uma delas é lidar com o preconceito, que eu sei que no momento não estou preparada. Então, tive que inventar um outro nome para dificultar das pessoas me acharem - e tive que inventar outro nome ra-pi-da-men-te, porque no site que eu estava me anunciando eles me pediam um nome, e eu, não tinha ainda pensado nessa parte tão importante.


A princípio, lembrei de um amiga que eu conheci quando eu tinha uns quinze anos mais ou menos. A gente nutria um carinho uma pela outra e chegamos a ficar algumas vezes (sou bissexual), mas a nossa amizade não era profunda, apesar de ter um elo ali de confiança. Um dia ela chegou me chamando de "Sol", "oi, Sol!", ela disse. E eu fiquei sem entender nada, pois este não era meu nome. Cheguei a questionar algumas vezes a escolha desse novo chamamento para comigo, e essa amiga não sabia me explicar exatamente. Até que teve um dia que ela falou que eu era como um sol, que eu era iluminada, energética, magnética e que ela se lembrava de um sol quando se lembrava de mim. Achei aquilo muito bonito, especialmente porque meu signo é Leão, então eu realmente sou regida pelo sol e pelo fogo. Eu realmente ardo, sou intensa, profunda, ágil. Desde criança, as pessoas me dizem que eu carrego um brilho no olhar e que eu tenho olhos muito profundos, ou seja, o brilho faz parte da minha vida. Passei por poucas e boas e sempre fui livrada dos tormentos que me aconteciam, acredito que por estar iluminada de alguma forma. Um brilho meu, eu tinha esse brilho. Então quando pensei no nome de trabalho, pensei que eu deveria ter um nome que carregasse fortemente a minha energia, que só da pessoa ler o meu nome, ela já me sentisse de alguma forma, sentisse um pouco do que eu entrego e do que eu sou.


E naquele ar de não-sei-como-vou-me-chamar-agora, eu só conseguia lembrar dessa amiga, então me carimbei; serei a Sol. E gostei de, a partir daquele segundo, ter um nome que significasse a estrela mais importante que temos. Se essa não é uma energia de sucesso, o que seria então?


Estava decidido, Sol seria meu nome. Eu estava tão feliz!

Mas me deparei com um problema: o site que eu estava anunciando só aceitava nome e sobrenome, e eu não fazia a menor ideia do que colocar como sobrenome.


Ah, meus amores, aí foi uma empreitada de buscar no Google e fazer combinações, e buscar sobrenomes mais sofisticados, e tentar ver se sobrenomes com a letra S funcionavam melhor... e nada, nada de eu ficar satisfeita com o meu sobrenome.


Só que eu precisava me inscrever, me inscrever logo, pois queria logo trabalhar. Então só me veio "Monroe", da Marilyn. Sou uma grande admiradora da trajetória dessa mulher e sabia que colocar no meu trabalho a energia dela iria me ajudar muito. Ela mesclava inocência com sensualidade, mas era plenamente estratégica e inteligente em cada movimento que fazia. E essa sou eu. Perfeito, não?


Então eu me chamei "Sol Monroe" por dois meses. Mas todos os clientes me chamavam de Sol. Seguimos.


Ao passo que eu fui tendo os meus clientes, eu ia ouvindo deles elogios. E um elogio que foi me chamando bastante atenção era "raridade" ou "rara". Alguns se referiam que eu rara por manter meus pelos, sendo tão jovem, e eles admiravam isso. Outros diziam que eu rara pela minha história de vida, pelas minhas experiências, por ser tão nova e já ter maturidade. Outros me diziam que eu era rara pelo meu estilo de acompanhante, por ser presente, por me envolver, por ser atenciosa e carinhosa, por gostar do que eu faço. Outros me diziam que eu era rara pela energia boa... enfim. Não era um elogio que aparecia todas às vezes, mas ele existia e eu achava esse um elogio muito especial, diferente, sensível. Ser rara é ser difícil de achar, é ter algo muito particular, intrínseco, aquele brilho que falei lá acima. Eu acredito que todo mundo, de algum modo, é raro, pois cada um é da sua forma. Cada pessoa é especial, diferente e tem uma história única no mundo. E veio para viver o seu próprio chamado, com seus próprios desafios e alegrias. Eu acredito muito nisso. Mas, quando ouvimos de outras pessoas a diferença que fazemos, isso fica ainda melhor. Temos a confirmação de que estamos plantando o bem e fazendo o certo. Estamos sendo realmente especiais, entregando aquilo que poucos ousaram entregar.


Sei que, por exemplo, o fato de eu não tirar os meus pelos traz muita curiosidade. Sei que é algo bem diferente no meio da prostituição. Antes de entrar nesse meio, pensei diversas vezes se eu ainda os manteria, mas segui firme assim porque confiei piamente que no meu caminho apareceriam homens que admirassem isso. E tem aparecido.


Eu sabia que isso ou poderia dar muito ruim ou viraria o meu diferencial, e tem virado um dos meus diferenciais. Não é louco que nos ambientes certos podemos ser uma raridade? Admirada, querida, procurada? Agora, tudo o que eu era estava sendo valorizado e eu era chamada de "rara".


Um dia, eu acordei com essa palavra na minha mente e eu juro que na mesma hora eu me disse "preciso mudar de nome!" e lá vai eu mudando tudo, todos os sites que eu tinha me anunciado, meu privacy, minha redes sociais, meu número pessoal, que estava com o nome antigo... eu não entendi por que veio essa mudança repentina, mas acordei com esse desespero, de que precisava mudar, ajustar para um sobrenome que me definia de fato.


E nesse dia eu fiquei me repetindo "sou a Sol... Rara. Sol... RARA. Ra-ra. Sou a Sol... Ra-Ra!" e fiquei como uma criança boba rindo do Rara, pela primeira vez na vida eu tinha achado um nome que realmente era meu! Rara, não é uma palavra tão bonita?


Nossa, fiquei realizada esse dia. Até pensei em trocar o "Sol" para "Rara", mas depois pensei que a energia desses dois nomes tinha ficado incrível. E eu também gosto da ideia de ter um nome que alguém escolheu para mim em vida. Em outras palavras, quando minha mãe escolheu meu nome de nascença, ela ainda não havia me conhecido. Eu não existia nesse plano terreno. Mas quando minha amiga escolheu me chamar de Sol, minha personalidade já havia formado e ela estava me nomeando com aquilo que transparecia de mim para ela.


Hoje, eu não tenho mais contato com essa amiga. Vida adulta, mudanças de casa e de ambiente nos afastaram. Mas confesso que um dia gostaria de encontrá-la para dizer que de alguma forma ela mudou minha vida.

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